Um poço de lama. Alguns grãos de desejos. Um oásis de esperança. Um deserto de desespero.

sábado, 30 de maio de 2009

O Jogo


Antes de tudo, produtos de escolhas
Conflito desarmado
Mas quantas outras armas você carrega?
Cartas personificadas
Tabuleiro de denúncias
O dado é viciado
Juro, cansei dessa história
- “Cassino não é lugar para crianças”
“São tão “frescurentas””
“Ninguém tem paciência”
Tem?
E se elas quisessem só um pouco de atenção?
Afinal, são indefesas
Há tanto barulho
Assusta
Independe
Você vai jogando
Jogando
Estamos falindo
Esse é o seu investimento?
Ainda é tempo de retorno
Você trapaceou pelas costas
Nada sadio
Desleal
Porque não falar tudo
para os que estão na mesa?
Vi um “joker” em sua meia
Qual carta você substituirá?
De fato você ganhou
Mas à custa de alguma dor

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Estórias de Desencanto


Deixe-me arregaçar as mangas
Para dizer quem sou
Inventar alguns pontos
de uma trama só minha
tão sua
Relembrar as novidades de algumas noites
Mentir sobre compaixões e paixões
que nunca senti e sinto
Narrar pessoas de papel
que se colocaram em estradas de ferro
Dizer um pouquinho do que fui
Gritar como me sinto agora
Com todos esses eventos
que me levarão
a não dar a mínima
nos seus momentos dor
Esses borrões de seus rabiscos
Os livros e fotos
Tenho que lhes dizer
Novamente reescrevo
para uma pessoa querida
Mas seus olhos não lêem
A comodidade da situação
Cúmplices
Muito legais
O tempo terá sua vez
Estou aqui esperando
O sol raiar
Ouvir suas desculpas
Sempre tão iguais
Mas não quero ficar
declamando esse tempo
Triste
Prefiro olhar para o futuro
Longos textos fulos
Da pessoa que me tornarei
Mas quantos não mudariam
quando soubessem do que sei?
Sozinhos nos momentos de companhia
Quanta ironia
Aleivosia
Eu não tenho coragem
Mas pode acreditar
Existem os que têm
Nem falo dos estranhos
Esses nem conto
São aqueles mais próximos
Com quem me desencanto
Politicamente corretos
Quanto esforço você fizera
A depender de quantas pessoas
se carregará nossa amizade
que pelas beiradas
estertora?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Volátil Estima


Cartas de adoração
Amizades voláteis
Promessas
Fui
Encontro
Ninguém
O lado escuro
Parcelei
a atenção
Prestações de serviços
Interesses póstumos
Ocultar os segredos
Íntimos
Joguei o jogo
Perdi a aposta
Bloqueio aberto
Segure
Caminhe
Arraste
Singelos medos
Tudo muda
Estratégias frágeis
Esqueci que era uma guerra
Bombas de emoção
Excluído do combate
Troquei de uniforme
Você veste roxo
Ele canta ao seu ouvido
Cantada perigosa
Harmonia
Traição
Palavra forte
Retribuir
Apreço
Avaliei
Carisma
Amigos em acordo
Com data de validade
Temos que repasteurizar
Tudo que vivemos
Não olhos nos seus olhos
Isso lhe diz alguma coisa?
Espero que não
Sei que sim
Não finja que aconteceu
Voei
Você não viu
Paredes
Belo encontro
Ao livre
Só por mim
Fugaz estima
De folhas rasgadas
A revelia do encontro
Você não diz mais nada

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Temos Coragem

Pode dizer que este é o fim da jornada
Talvez não precisássemos mais
Chances
Afinal, não fora por interesses?
Foi?
Não peço explicação
Pode seguir
Humor de “dono do mundo”
Mediador das terras
Balança do ridículo
Ridicularium
Espelho do desprezo
Opaca superioridade
Você faz questão
Eu sei que isso é importante
Projeções de si próprio
nas palavras e gestos alheios
Você realmente não ajudou ninguém!
Quanta caridade numa conversa
Quais são os critérios de sua escolha?
Você se acha melhor?
Como você é boçal
Como você conseguiu?
De fato, muita perspicácia
Audacioso, não?
Recolho meus exageros
Minha aparição

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Você. Precisa. Preciso. Saber.

Querer
Descobrir
Qual é o jogo
Quem vencerá?
E temos que competir?
Postura impostora
Carência de atenção
Quais motivos você arrola?
Por que sem atenção?
Fuga
Todos os instantes
Diluindo
O ouro negro
Embranquece
Homem adulto
Criança, o tempo passa
mas não envelhece
Último ano
Pano para as mangas
Lágrimas estúpidas
Quando se espera compreensão
Arranhei os dedos
Sozinho
Excluído
Para que falar?
Os passos comprimidos
Pequenos
Cortiços
Cortados
Ninguém me apagou
Aquele se foi
Está indo
Como vai longe
Você
Precisa
Preciso
Saber
Para que fazer isso?
Aonde vamos?
Confidentes desconfiados
Azedo
Ratos
O que deveríamos pensar?
O que você pensou?
O que você falou?
Atitudes
Simbólicas
Marquei
Matou
Meus ouvidos são os seus
Ouvi o que você discursou
Respondi a toda minha magoa
a toda minha dor

terça-feira, 12 de maio de 2009

Delírio



Sensação de um objeto
Utilizado
Logo descartado
Muito cansado para o caminho de volta
As mesmas palavras
para aquilo que é diferente
Quando se pensa pela primeira vez no descarte
Música cantada
Canto da decepção
Quando se pensa pela primeira vez na própria morte
Estado psicológico
A complexidade de entender
A genealogia da existência
Delírio de ponta a cabeça
que não me deixa pensar
Alguém está me apagando
Todos estão esquecendo
E continuo tentando dizer melhor que ninguém
os melhores dizeres que se podem ouvir
Não há platéia
O público vaiou
Solidão
Compaixão
A peça que mal começou,
acabou

domingo, 10 de maio de 2009

Reinício


Parem de declamar
Esses discursos sem fim
Martelo a ecoar
Não desisto
Vocês que partiram
Vergonhosamente me levanto
Tento ir para o fundo
Silencioso
Calmo
Sem gosto
A revelia
Ao som do piano
Com coragem
e medo
Desmancho
Chuto
Borrei a bote quebrado
Desenhei
Rasguei nosso retrato

domingo, 3 de maio de 2009

Dever(ia)


Apagando
Desabrochei
Respirando fundo
Foram-se aqueles dias
Insisto
Volte
Caminho
Corro
Grito
O violão não soa
Não quero mais
Arte de sofrer
Religiosos
Fanáticos
Encontrem
meu caso
tropeçando
trepidando
aos pedaços
Costura feita
Rompeu-se uma brecha
Você se foi
O que falar?
Sangro
Olhos de nada
Cegueira de ver
Boca que fala
não diz
quase nada
Suas desculpas
Acreditei
Duvido
Encontrar
Esqueci
De lembrar
O que eu deveria esquecer

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Estruturas de Concreto


As estradas de vinho
Porto de corações feridos
Balões de imaginação
O vermelho ódio
Dedos de pinça
Homem gafanhoto
Portões do som
Corrosão da crosta
Literatura surreal
Bordadeira na escada
Linha roxa
Sozinha e triste
Cansaço da volta
O carro em minha direção
Cruzei o campo
Comiseração virtual
Heróis de papelão
A luz que dissipa
Estou flutuando
Cai no porta-retratos
Guardei meu guarda-roupa
O crescimento horizontal
Os pêlos no abdômen
Lentes refletindo o sol
Toneladas de dejetos podres
Escoei por minha torneira
O caminho dos esgotos
O engodo dos ratos
Os pássaros cantando,
gritando de dor
Palavras de socorro
Caminhos de algodão
Tudo está alvo
Fiquei tão branco
Andando pelas águas
Os pingos estão pingando
Estou escutando as pegadas
Meus pés sujos
Esqueci de meus lençóis
Medo da escuridão
Não quero sonhar
O que será que acontece em nossas veias?
O albatroz lá em cima
O vento rugindo
O suor evaporou
As árvores estão falando
A morte, matando
Há crianças gemendo
Alguém está fazendo sexo
Escrevendo
Escrevendo
Escrevo
Errei
Cantei
Está desafinado
Voltei
Cheguei
O labirinto
O eco
Submarino sob as terras
Está em baixo de meu apartamento
Os aviões não conseguem voar
Só eu que agora afundo
Estranhos na rua
Me vi agorinha no espelho
O combate tenebroso
Eu posso
Olhei aquele menino
Não falei
Não tentei
Os agasalhos dos cachorros
Errei aquela palavra
Bati no porta-malas
Abri a gaveta
Mergulhei
Sequei
Peguei a agenda
Denotei
A energia está se gastando
Cuidado com os avisos
Perigo ronda à cidade
O olho mágico
A reza tem poder
O círculo tem perímetro
Equilibrei-me na corda bamba
Ondas de radiação
Hiroshima
Japoneses
Minha terra
Meus prazeres
Alusão a velha história
Os idosos são conhecimentos
Aquela folha acabou de cair
Os vegetais estão vegetando
A doença, com certeza, está doente
As espinhas são tão ruins
Meu cabelo despenteado
As pessoas que irão me ler
A decepção do encontro
Tudo vazio
O vizinho já mudou
O “ABC”
O ladrão
Desliguei a televisão
Jornal noticiou
Respirei
Toquei
Tentei
Abri
Engoli
Sozinho
Sem mim
Achei
Perdi
Escolha social
Preconceito
Esqueci
Eu posso
Consegui
Você partiu
Fiquei
Fui
Parei
Senti

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Entre o Colapso e o Desterro


Querendo explodir em mil pedaços
A arrastada vida me aprisiona
À beira do colapso
Vítima de palavras
Submisso a alguns medos
Entorpecentes derrotas
Lágrimas rancorosas
Maquiagem borrada
Vômito de horror
Quebrei aquele anel
Romântico sádico
Masoquista sentimento
Lembranças enterradas,
desenterradas,
sacramentadas
Preço do desprezo

Exílio da personalidade
Especialista em mentiras
Patologia incurável
Crítico sedutor
Artificialidade do pensamento
Negação ao apego
do aperto de meu peito
Poema sem conclusão
Fatalidade sem desterro

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A Vergonha de Meus Desejos




Começo com desculpas
Por tudo que um dia fiz
Que deixei de fazer
Por não ser quem prometi
Pelos olhares que neguei
Aquele toque,
Aquele toque,
Maldito toque
eu esqueci de repeti-lo
Perdão pelos beijos que não consigo
evitar o desejo
Meu olhar imóvel quando você passa
As mãos que ardem à revelia da separação
Esqueça minha humilhação
por instrumentalizar o objetivo final da minha existência
Por buscar, a todo custo, sua presença
Por não me conter na sua ausência
O desespero da partida
Essas poesias ridículas
O silenciado protesto
O calado discurso
Um coração mudo
O amor infantil
Meu Complexo de Peter Pan
O calafrio do primeiro encontro
A dúvida do futuro
A clemência,
redundância
e medo do presente
O que não quero ser
A fuga do meu sofrimento
A vergonha de meu desejos...

terça-feira, 21 de abril de 2009

O Que Se Passa?


Eu posso sentir toda essa dor
Eu posso senti-la
Eu posso senti-la
O que se passa?
O que se passa para eu ficar assim?
E eu me pergunto o que fazer
quando sei que todos nós caminhamos para o fim
E peço para você não partir
Não agora
Logo agora?
Meus dedos desaçucarados
Os pés que caminham sem rumo
E não quero que você vá
Olho para tão longe
O vento que leva meus cabelos
E eu só quero chorar
Ficar só
Magoar somente a mim mesmo
O que se passa?
O que se passa no mundo lá fora?
O ninguém que fazem de mim
E passo despercebido
A cabeça baixa
Eu quero levantar
À sombra de meu corpo
Desabo a acreditar
que posso vencer
A fúria da mudança que aqui nasce
E o que se passa?
O que se passa aqui dentro?

sábado, 18 de abril de 2009

Meu Partido de Vida


Esquecer tudo
É isso que procuro
Resetar os medos
Suprimir as ideologias
Sambificar meu rock
O menino com vontade tropeçou
E esqueceu que tinha de fazer tudo diferente
Os políticos terminaram suas campanhas
Teremos ainda algo a se fazer?
Ah, estou jogando tudo fora
O mundo perdido
O garoto questionador
A criança se calou
Que tal ouvir um pouco mais?
O seu risco suspirou
E ele só precisa agora de um amigo
de inimigos de prazer
E eu não quero mais mudar o mundo
Sonhos de adolescente
Fase passageira
Espero que passe rápido
No fim,
tão conservador quanto nossos pais


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Num dia qualquer


Amar
Sofrer
Querer
Não poder
Olhar
Você
Sorriso
Abraços
Déjà vú
Lado a lado
Carência
Solidão
Tocar
Sentir
O cheiro
A pele
O Som
O Apego

Alguém aí do outro lado pode dizer que me ama?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Nossa História


Tão distante daqui
Dedilhando o chão
Meu violão ainda soa
Esse velho caminho
Pelas mesmas estradas
A turner da esperança
Os galhos das folhas ainda estão queimando
Aqui, sem você
Com um copo na mão
Meu papel
Meu coração
Escrevendo o que dá na cabeça
Omitindo o que for perigoso
A história se repete
Sem controle
Longe de mim mesmo
Essa estrada está mais distante,
você não acha?
A lua não pára de brilhar
Você é tão indelicada
Nem sequer me pergunta o que acho de tudo isso
Ta tão frio
Ou será por que estou sozinho?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Carta ao Papai

Os anos estão passando.
Mais uma vez separados.
Não existe você para apagar a luz de meu quarto.
Continuamos encontrando os mesmos velhos medos.
Medos de infância.
Da opressão.
Realmente eu queria que você estivesse conosco.
Tudo podia ter sido tão diferente.
E parecemos mais dois estranhos.
Nunca entendi por que você se afasta tanto.
E eu ainda choro.
Pode acreditar, eu ainda choro.
Não pelo que você hoje é, esse ser tão desconhecido.
Que não sei por onde anda,
nem o que faz;
que não sei a rotina;
que desconheço os amigos;
que não sei onde mora.
Um ser que se perde dentro de si mesmo.
Que perdeu o melhor da vida.
Buscou o desencontro fatal.
E todos me dizem que esse não é o melhor caminho.
Mais tarde irei me arrepender.
Mas que posso eu fazer?
São tantas coisas juntas.
Todas as suas omissões.
E me diga quantas vezes você viu aquele vídeo?
Você mudou?
Tento fingir que nada aconteceu.
Mas sempre tem uma data
que me faz o desfavor de lembrar
o que quero a todo custo esquecer.
Os tempos em que você me acordava;
que íamos caminhar na praia;
que eu ficava na casa de vovó.
E eu quase esqueci seu aniversário.
Será culpa desse monstro,
pronto a me devorar?
Como eu queria que você estivesse aqui.
Mas você não está.
Mais uma vez nos meus momentos de medo,
o que será que você deve está fazendo?

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Replicas, Sem Cor


Doce mel
Minha língua
Carnificina
Mãos dadas
Lado a lado
Corpo a corpo
Olhos sentidos
Frio castigo
Noite luar
“Isso tinha de acontecer”
“Nada disso pode se repetir”
E você me pede para eu tirar essa expressão de dor
Mas me parece, querida, que você não nota
que eu só preciso que fique um pouco mais de tempo comigo
“E se “para sempre” é muito tempo”
dizia outra vez o poeta
“acho que esse é o tempo que eu pretendo te amar,
mesmo sem perceber,
apenas para te gostar,
gastar a magoa, sem magoar,
desejar por desejar”

domingo, 5 de abril de 2009

Cinzas


Sangue concentrado
Na camada mais fina
Cinzas da vida
arrasta o perigo
Dura verdade
Amador de perdões
Reprodução do vazio
Todos aqueles dias
Já tinham passado
Reviveu um cadáver putrefato
Hiato
O poeta que não escreve com a pena
que usa a ponta do fuzil melada de pólvora
rabisca seus medos
que bate um a um a sua porta
Cinzas de palavras
Ditas a revelia
De maneira prática
Acinzenta meu dia
O temor da segurança
da nuvem de chuva cinza
Os restos de pó de ferro
que jogam fuligem nas sinas
O terror dos hospícios
De paredes cinzas
Mel agridoce
Um corpo, se descombina

terça-feira, 24 de março de 2009

Apenas Para Lembrar


Preparei o café para afastar o sono
Opção que você me obrigou a recorrer
Ventilador virado para a janela
A cidade tão apagada
Era noite, quente, solitária
E fico reparando a vida pela brecha de minha porta
O pobre cachorro que segue mancando
A menstruação que chega antes do tempo
Pessoas que se despendem para nunca mais
Trabalho cansativo
de um corrupto sem abrigo
alojado na casa de Barrabás

Fico parado, congelado, estático
As formigas trabalham,
varam as madrugadas
E eu escrevo poesia apenas para me ocupar
De um tempo que não tenho,
que invisto em tormentos
que eu insisto em lembrar

Vou sair esta noite
Vagar para esquecer
Já que um velho mendigo
Sábio, vivido
Um dia me alertou:
esquecer de lembrar é o primeiro passo a se dar
Como um bom discípulo
Fiel e acolhedor
Não sai naquela noite
Ocupei-me em organizar
Todas as nossas fotos
Apenas...
...apenas para lembrar...

quinta-feira, 19 de março de 2009

O Outro


O outro na extremidade
De uma margem vertical
As nuvens no céu
Chuva que goteja a janela,
que descansa em teus lábios
O vento que sopra os cabelos
O olhar que namora o reencontro
O outro na extremidade duvidosa
Com a mesma lua que consagra
o dejavu
As imagens soltas
Teu corpo nu
Com mãos dadas
O outro na extremidade ressente
Do por que de florescer
A primavera que já acabou
O inverno ta congelando
E a lareira volta a esquentar
A poltrona do medo
De uma porta aberta para o reinício
E o outro continuará na outra extremidade
A espera de uma escolha
Protelada pela angustia
do medo de se apagar aos poucos
ao invés de se consumar de vez...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Será mesmo a morte a única coisa inevitável?


“A morte é inevitável”
Disse outra vez certo companheiro

A simplicidade das conclusões
A relatividade do pensamento
Gostaria de ver você evitar nossa existência
de aniquilar nossas vontades
de esquecer o futuro e só viver para o presente
para não ter medo do medo
que defronte aos nossos olhos
zombam de nossos rasos pensamentos

E de quantas drogas serão precisas
para concretizar esse seu projeto?
Esquecer a rotina
Tentar enganar o desejo...

Que tal escrevermos uma receita
sobre a conveniência de nos aceitarmos
para não digladiar num campo desonesto
que só nos traz tormentos?

As justificavas que criamos
As respostas que inventamos
Tudo para dizer quem somos
Mas tão pouca coisa falta
para sabermos que não somos nada

Valorizamos nossos medos
Fazemos o que deve ser feito
Entrementes, quem nos dirá o que deve ser certo?

Mas independentemente das reflexões,
sempre me reencontro comigo mesmo
de uma viagem que nunca realizei
batendo sempre na mesma conclusão
que o que eu nunca consegui mesmo
foi evitar meu pens
amento

Fantasia do Existir


Poderão existir palavras que eu te diga
que desmintam o que os olhos vêem?
Vou colocar toda essa dor
aqui, neste texto
só para quebrar os espelhos
que você colocou no teto

Você com passos tão pequenos
Saltando longe daquela canção
Às margens do papel
Contei outra mentira
Qualquer coisa boa era bem vinda
Mas vendi seu coração
Por esquecer o meu numa sacola,
naquela esquina
porto do medo
cais do sabor

Escolhi pisar nos cacos
Cortei para escoar
Seus olhos de qualquer coisa
Lugares para haver alguma promessa
Transformaram rios caudalosos
em terra árida, deserta

Pílulas com fórmulas de “sorrisos”
Calma programada
Conversas trocadas vestidas
O frio que se apossa
por reaver as lágrimas,
que dos olhos rolam

Afinal um bom poeta
de verdade se degenera...

terça-feira, 17 de março de 2009

Eu conseguirei ser um pouco mais forte?


Pendurar o céu num gancho mais seguro
Tocando a zabumba para acordar os espíritos
Espantei a insônia com um livro
Calei a boca com um sorriso
Confissões comprometedoras
Possessões que chamamos de amor
Lábios que se desencontram
Corpos se arrastando
Drogas para esvair
a fuga, a existência, os caminhos, a dor
E há alguém nos esperando ao portão
Deve existir uma saída
Mas você se nega a encontrar
E você realmente quer saber o que eu penso disso tudo?
Estou vomitando o passado, cru!
Devíamos voltar na brisa
Tocar com clareza, leveza
O azul do céu parece desbotado
As estrelas desligaram
E hoje eu descobri que a lua não tem luz própria
E haverá alguém me esperando em casa?
Acho melhor sentar,
nesta cadeira de rodas, rolar....

sábado, 14 de março de 2009

Só Minha Imaginação


Apertar, morder
Falar para não dizer
O tempo que passou
A ladeira em que caí
O canto que não cantei
O abraço que te neguei
O telefone que quebrou
Pena, meu amor

O espelho que não se cansa,
não se cansa de refletir
O mel em que escorreguei
Jogados só para mim
desejo, vontade, fulgor
Carne, corte, mole, com sal
Sol vespertino
Meandro perdido
no sonho do mal

Oh... são só minha imaginação

Negação desta inércia
E não te quero só para mim
Perigo constante, afiado, ardor perfurante,
Vômito de renovação
Bebida que traz solução
Coragem ficcional, artifício artificial
Ponto de interrogação, substantivo inconstante
Toque indeterminado de uma redação
que sucumbi, aos pedaços, aos prantos

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Um Discurso a Ser Proclamado: Ora, são os Nossos Jornais!


Se eu falar musicadamente
cada trava de minha língua
termino com um piercing lesionado
pela fala que se aglutina

O entendimento confuso
da religião que se propaga
Tantas bocas falantes,
falantes de quase nada
E eu lendo o jornal que pouco me informa
matando um tempo perdido
que fujo por uma só estrada

Os olhos que observam
são fontes de pouca importância
Seus preconceitos se engarrafam
numa hipocrisia corrupta, confusa

No final chega você
Bancando o bom moço
Amigo dos inimigos,
inimigos a todo custo

Escrevendo poesias de cunho social
Todos declamam, proclamam,
rogam, rezam...
Mas as pessoas ainda são estatísticas
em todos os nossos jornais

Mais uma vez eu me revolto
Defronte ao computador
Escrevendo para eruditos,
Carentes de sabor

A mulher de lábios vermelhos
Passou agora ao meu lado
Todo aquele tesão,
tesão mórbido, gelado

E os salões de beleza se empanturram de baboseiras
TVs, maquiagem, cortes modernos, mutretas
Saídas perfeitas para a responsabilidade social
Afinal, para que lembrar aquilo que vemos todos os dias em nossos jornais?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A Inversão dos Contrários


Vamos fingir que o amor não existe
Cuspir em todos os heróis
Levantar da cama para deitar de novo
Tocar para não ser ouvido
Gastar para ter dívidas
Ler contos de fadas para lembrar da vida
Marcar uma reunião com os amigos e amargurar a solidão
Sair de casa para esquecer...
Lembrar para viver...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Calúnias


Escrever na hora certa
as palavras que tem que ser ditas
a todo custo a alguém que se ama
Injurias, calúnias
Não querer mais você por perto
Uma decisão não informada...
E eu dedico pedaços de minha vida
tentando entender o porque de sua partida

Você não me deixou pistas
E essa estrada é tão triste
Tento te falar o desejo de meus lábios
O fulgor de meu pensamento
Mas você vira as costas
Corre, congela...
Se apaga, me deleta...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Interrogação: Mora em Mim


O leve vapor do café
Amargura casando com meu estado
deplorável... convincente
Lá fora só alguns carros
Aqui dentro uma canção
Minha xícara
A solidão
E você que não está aqui?
Alguns livros
O violão
Meu cigarro
O pão
As migalhas, espalhadas... no chão
No chão as roupas
sujas da noite
Impregnadas de eternidade
Vazias de significado
Tudo é culpa sua
Tudo é culpa minha
Não agüento mais essa cítara
Toda essa fumaça
obscurece o que procuro
E eu quero algum motivo para vencer
Para fugir
Para diluir a interrogação daqui...
Para encontrar algum modo para me redimir
E soprar a indecência de existir

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Destoamentos


“Os românticos são loucos desvairados”
já dizia outro poeta;
Quanto a isso me pergunto
que é que tem os loucos a ver
com toda essa mutreta?

A loucura da cabeça
A cegueira da visão
Redundâncias tão grotescas
quanto amor do coração

Amizade
Companheirismo
Pessoas
Solidão
São quase rimas perfeitas
de querubins
de rosetas
de escuridão a luz de velas
de música com violão

Pensar pra questionar
um (E)estado indesejado
Questionar para pensar
uma liberdade de seu agrado
Mudar um sistema
exterminando quem o compõe
Condenar o homicídio
E fazer da morte uma punição
Assumir uma religião
E condenar os diferentes
Isso me soa tão hipócrita
Me destoa completamente...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Algumas Palavras


Escrever para conquistar
lembrar nossos momentos de solidão
a esperança dos olhos
as proporções dos desejos

A palavra que não sai da boca
Tocar teu corpo, suado
Dizer uma mentira para confortar seus ouvidos
Fingir que nada aconteceu
Maltratar a saudade que sinto de você
Esconder tudo que tenho para te contar
Enviesar pela a esquina da obsessão
Omitir meu próprio “eu”
Guardar fotos perigosas
Ler contos românticos

Nada mais me faz dormir
Tudo é contenção
Desespero para esconder
A ganância de te ter
Ninguém ti traz de volta
e o início se tornou fim


(...)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Pelo Medo, Por Receio


Vamos dar as mãos
e abraçar esse medo que temos
de nos olharmos
Para pormos a verdade na mesa
Assumindo nossas omissões

Declarando a falta de vontade, digo coragem
não nos encontramos,
fora o receio do coração
Devolva meu livro que você tem guardado
Pois estou levando aquele seu filme emprestado

Se é isso que você realmente quer,
parei de lutar contra o esquecimento
Sem palavras dolorosas
Deixamos tudo aconteceu por dentre nossos olhos cegos,
que viam a perdição silenciada
do nosso conto de fadas

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Sobre Dois Poetas


Atravessando as rimas, criadas
para revelar um sentimento camuflado
Dois poetas se encontram
Para declamar o amor que no peito bate
da fidelidade do adultério

Até para seus criadores
as palavras se tornam magníficas
Sentem a verbalização da emoção
aclamada pela vibração dos corpos
que no contato forjado
do atrito das mãos
apenas deixa uma única sugestão

Suas histórias e sentimentos
Entre memórias e poemas
nas fotos, no coração
no papel, na imaginação
Tudo registrado
Para deixar viver, marcar
Todas as brigas
Todas as conquistas
Cada encontro
Cada despedida

E tudo se finda pelo olhar
No gosto do beijo
Com o aperto de mão
O nosso cheiro no ar
Os lábios se aproximando
Naquele abraço...
que leva,
que carrega,
que intima
o coração...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Clamo


Vamos calar nossos ouvidos
E ouvir um pouco mais os nossos olhos

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Procurando Algo Para Provar que Existo




A inspiração tirou férias
Se esvaiu num pequeno segundo
Sem coisas importantes para se narrar
me resta apenas um chão,
tão vão, tão sujo
onde deposito sofridamente
o desespero de algumas ausências

Com uma pacata vida se arrastando
por dentre os pilares mal iluminados do acaso
Esqueci de prever nosso futuro
que sozinho caminha, rápido...

Varando aquelas árvores
que cortadas pelos riachos da partida
Vejo se esvaírem nossas lembranças
que insistimos em não deixá-las,
em não deixá-las seguir
sua trajetória natural
do esquecimento, da distorção

Procurando algo para provar que existo
Escolho a escrita:
Voz calada
Insípida
Atônica
Por vezes...
ferina...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

(Des)controle


O que fazer quando não se tem mais o porquê de escrever poesia?
Quando o mundo se torna pequeno,
os sonhos mesquinhos,
onde os passos monocromáticos de uma cor opaca,
que – aos poucos se instala –
na vontade que nada afaga nos consome?
Os discursos repetidos
Na mesma agonia do instinto
Para um fim libidinoso
A carne, o suor, o toque, o reparo
A pessoa que não cumpre as teorias
age pela prática contrária
é carrasco de sua vontade descontrolada

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Há Tanto Tempo




E quando foi a última vez que eu pus um cigarro na boca?
Que tomei uma atitude correta?
Que trilhei caminhos seguros?
Passando por aqui
repetidas vezes
Esqueci o que pensar
Com minha consciência se diluindo
pela jornada da traição
Cadê você que não volta?

Nesse meu coração, impiedoso,
por vezes ameaçador
procuramos, eu e você,
um canto para depositar nossas esperanças
Mas nem eu o encontro
E você apenas observa minha perdição

...ansiosamente...

Pego o pincel e tangencio nossos encontros
Pinto a ponte do desejo
Nessa tela de marfim,
negra e fria
que nada risca,
que nada demonstra

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Assim Eu Me Sinto Bem Melhor


Se você quer que eu parta
Eu sigo, por aquele caminho que você me indicou
Mas vou devagarzinho, amor
Olhando para trás
Olhando para os seus olhos
Para ver sua reação
Para te lembrar daqueles momentos juntos
Para te lembrar quem somos nós
E com esses laços desatados...
Numa mão levo a saudade
Na outra, teu coração...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Oh Baby


Oh baby, até quando você vai ficar me escondendo,
me escondendo tudo o que acontecera ontem?

Quais coisas importantes você fora fazer?
Qual drink você tomou?

Qual hora, qual hora, honey, você voltou?

São esses compromissos, inusitados?

E você não tinha dito que naquela noite era...
que naquela noite era só minha?

Houve um encontro, não?
Pode me dizer
E estou sentindo que esta estrada está se entortando

Estou sentindo isso, sim, baby
Você estava tão diferente hoje

Foi aquele seu amigo
aquele canalha
aquele das lágrimas, não foi?

Oh baby, realmente eu não sabia o quanto eu gostava de você
Oh baby
Baby nooooooooooooo...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sobre um Evento


Observar a sua vida
Prender-me aos mínimos detalhes,
de quem contigo fala,
de como você os responde
Quais são as suas intenções?
E aonde você chegará?
Transpirando essa insegurança
Vou me maltratando,
ao ler nos seus olhos,
o maquiavelismo de meu pensamento


Sua solidão massiva
Seu temperamento afetivo
Será assim com todos?
Ou é só pra me redimir?
Essa necessidade de pessoas
A popularidade de seu nome
As palavras largadas,
injuriosamente faladas
Ferindo mágoas recentes
De um coração dividido
Pela incerteza da dúvida
Pela não cobrança do descompromisso
Nos meandros de algum sorriso

sábado, 15 de novembro de 2008

Eu e Você

Parece que tudo que me rodeia cria vida
Os toques mais simples tornam-se os nossos protagonistas
O cheiro nascente do contato precipitado
E chegamos à beira mar
A lua já está bem alta
Naquele porto
As águas paradas
Essa madeira velha
Esses pensamentos incontroláveis
O sentimento singular
E eu vou escrever para você, por você
“Vai?”
“Vou”
A maré seca, encheu
Aqueles faróis estão desligados
O vento deslizando,
rosnando a sussurros sua canção,
choca-se com o calor interno de nossos corpos
E é difícil escolher qual caminho seguir
E eu te pergunto: dá para parar de ser tão universal,
ao ponto de me fazer lembrar de você
em tudo que vejo, toco, sinto?
Nos livros que não mais me perco,
já que meu mundo imaginado
se perde fora daquelas páginas
Que se encontra na encruzilhada da partida
No condensamento do suor
No sofrimento da distância
Eu e você, sem o porquê
Sem nos entendermos
Apenas por ambicionar
Movendo nossas montanhas
Superando nossos medos
Criando novas barreiras
Sangrando o nosso sangue,
gota a gota,
por nossos desejos

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Queda


Ouvindo as mesmas palavras
Essas suas promessas
Acho que já vi isso antes
em algum filme
em algum conto
Os exércitos a postos
Vamos erguer nossas lanças?
Quero participar deste livro
Vou morrer a morte ideal
Viver o personagem mais bonito
E eu não tenho medo
Não tenho medo de te perder
De fingir te perder
Realmente eu te quero muito
Para te guardar numa porta-volume
para transpirar
para te deixar escorrer
no ralo da cozinha,
no fogo
na cor
no azul,
nesse preto...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Poeta


O poeta que escreve não é o mesmo que vive
Não é o mesmo que declama
Não é o mesmo que aparenta ser
É a distância do modelo perfeito
Não se assemelha com ninguém
Não encosta a cabeça no mundo
Transpira injustiça
É egoísta
Não pensa nas conseqüências
Não procura explicação
Corre atrás das perguntas
Não se importa com os “outros”
Necessita de seu ofício,
o faz por obrigação,
por auto-flagelação,
para auto-punição

Em Alguns Momentos



Tão distante daqui
Dedilhando o chão
Meu violão ainda soa
Esse senil caminho
Pelas mesmas estradas
A Turner da esperança
E os galhos das folhas estão envelhecendo
Aqui, sem você
Com um copo na mão
Meu papel
Meus pensamentos
Meus erros
Escrevendo para você
A história se repete
Sem controle
Longe de mim mesmo
Essa estrada está mais distante,
você não acha?
E a lua que não pára de brilhar
Você é tão indelicada
Sequer me pergunta o que eu acho de tudo isso
Mas ta tão frio
Estou novamente aqui, sozinho

sábado, 8 de novembro de 2008

Andando na Contramão


Todos esses erros
Imerso nessa vontade
E amar quem não afaga
Se entregar para quem te dá as costas
Trazer rosas para quem de tulipas gosta
Por o peito a mostra por quem te despreza
Para fazer tudo valer à pena

Fazer promessas para togas compradas
E não vou voltar atrás
Pisar na esperança que ainda agoniza
Será mesmo que é a última a morrer?

E continuando, e correndo
Não vamos perder mais tempo
Tudo passa tão rápido
E são por esses corredores que tudo passa?

E insisto em não te ver
Talvez você esteja se escondendo
Não uso meus óculos como deveria
Está penumbra tem culpa

Apunhalando a carne doentia
Ouvindo a dor se dissipar no silêncio
que você insiste em manter
Não quero compartilhar de nada
Sua bilheteira está em crise
Ninguém mais se interessa por teatros
As poesias são passa-tempo
É essa sua dor que é apenas inspiração

Você luta para não deixá-la ir embora
E, mais uma vez, você passa por um papel humilhante
Não está em tempo de desistir, minha criança,
se perguntam todas as mães
Mas você nunca pára quando se deve
E essa droga está te consumindo
E essa droga está te denegrindo
Que tal parar por aqui?
Você ainda tem força?

Filho, a vida é em demasia longa
Cada sofrimento, cada felicidade, cada despedida
Tudo é momentâneo
Vamos ao parque
Que tal comprarmos umas balas?
Balas que nos deliciam
Balas que nos matam

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A Você me dirijo


Por esses poemas
Por meus pensamentos
Um perdido se desencontra
E as ameaças retornam
Mas quem se importa?
Em tempos em que pouco se tem a perder
insuficiente é o medo
E andando, sem respirar, sem procurar
Nos batemos sem sabermos quem somos
Criando causas pequenas
Tão sem importância
Mergulhamos neste mar
Desconhecido
E não existe a “nossa canção”
E não existe essa junção
O mundo imaginado se dissolve
As fantasias açucaradas, saboreadas
Mas apenas nesta terra distante,
onde não se deve busca o fim,
esperamos que ele venha ao nosso encontro
O anonimato, virtude dos maldosos
dos inseguros, dos inexistentes,
se reproduz
E onde está você que não se mostra?
Quais são os dedos que vertiginosamente escrevem tantos “poréns”?
Qual insanidade você alimenta?
E essa crença de ter todos em suas mãos
Você realmente acredita?
Realmente acredita que é capaz?
Capaz de decidir qual caminho rumar,
e o que fazer quando os balões escaparem a suas mãos?
Sinceramente, é válido entender as pessoas?
Para que?
Para crucificar a surpresa de cada encontro?
Para adivinhar como elas agiriam?
Para evitar o sofrimento?
Prefiro minhas dores
Meus porquês
Minhas dúvidas
E isso é uma crítica
A todos vocês, cientistas do sentimento:
guardem suas fórmulas
joguem seus experimentos ao mar
Me deixe sozinho
Abandonem minha vida
Esqueçam as minhas marcas

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A Piada que Sou


E pergunto aos céus
Que irei fazer,
se as frases que realmente gosto
não foram escritas por mim

Copio para me expressar
Repito os sofrimentos
Procuro os mesmos instrumentos
para problemas tão diferentes

Escrevo para esquecer
Me embriago para sublimar as angustias
E mais uma vez eu não pude dizer o que sinto

Recorrendo a eruditos,
que perdidos como eu
plantavam seus desesperos no papel
criei outro cenário para burlar a trama que agora transcorre

Quando é que criarei coragem, inspiração, bondade
para te dizer,
com minhas palavras,
a verdade sem máscaras,
encenada
com maquiagem
nesse meu rosto pintado
de vergonha, de medo,
que é minha piada?

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Desfecho




Na mesa, a toalha branca
maculada de sangue
escorrendo pelas beiradas,
deixa um pedaço do mármore aparecer na cabeceira
O prato com uma fatia de bolo, mantém estático o cenário
Os talheres a espera de uma utilidade
O copo, com vinho, trincado, sujo
A faca no chão
O cachorro deitado, parado, observando
O ventilador de teto na inércia do brando movimento
O corredor com uma lâmpada acesa
Do outro lado o cinzeiro,
com sua visita: o cigarro
consumido pelo calor e pelos pulmões de um dependente
Dele só restam dejetos de milhões de substâncias carbonizadas
Pela janela a brisa traz esperança
A vida se arrasta
E nesta casa, pouca coisa tem explicação
Entre ser um sujeito dissolvido
Prefere-se ser um efervescente
para fervilhar/efervescer toda a essência
e apagar de uma só vez
essa existência de caráter duvidoso
num caminho sem voltas
Vida mais de idas, que de voltas
Fora essa a vida do suicida daquela casa
Casa agredida pela parcela social que, voluntariamente, se oferece para a morte
Que soltando cada pedacinho de seu sentimento
Encontrou um vazio
Difícil de se elucidar
De uma vida vivida para morrer
Num caminho da perdição
De uma criança
sem pai,
perdida,
na aflição

Um Recado


E eu sou a o motivo de suas poesias
Só por mim
E o que você vai fazer agora?
Recados rasos, planos, incolores
Não diz nada
É o coloquial
Todos dizem o mesmo
Sentem esse lixo
Você não será mais a mesma
Seu mundo tão grande, tão pequeno
Sua música, sem tempo
Ausência de ritmo
de sentimento
Não humana,
sua vergonha
Decrescente,
palavras secas,
sem prática,
Teóricas
Que merda é essa que você me apresenta?
Que sensibilidade é essa que você tem?
Que recessão você criou?


sábado, 1 de novembro de 2008

Entre algumas verdades, entre algumas mentiras


O medo de perder quem se quer para sempre
O perigo rondando cada passo descompassado
Sua foto em minha estante
Sua roupa em meu armário
Você realmente me inspira
Agonia incessante
Hecatombe do perigo
Holocausto de minha vida
Suas lágrimas abrem seu rosto
Rasgam sua carne
Deixa cicatrizes
Denuncia sua solidão
Talvez você devesse acabar comigo,
se encostar ao meu peito
e esquecer todo o nosso risco

domingo, 26 de outubro de 2008

Às Vezes Realmente Eu Penso Isso

To aprendendo que é necessário aprender a se anular
Mas que também é necessário anular quem se ama
Saindo aos pouquinhos, de fininho
A solução dos covardes
dos medrosos
Espelho do tormento
Versos obscuros
Dor reprimida
Olhos perdidos
Vontade extinta
Você não se afasta
Você não se aproxima
Não me afaga
Não me denuncia
E eu, aqui, pensando em você
No que fazer
O que você está tramando?
E, às vezes, eu realmente penso que você não se lembra de mim
Você se esconde
Foge
Corre
Aspira sua vida da minha
Traga todo meu sentimento
E se vai
E me faz promessas
Eu espero todos os dias
Esperei um dia inteiro
Você não me avisou que ia partir
À noite não me bastou
A madrugada está se acabando
Hoje eu não saí
Aqui fiquei
Apodreci
Sem você,
sem mim