Um poço de lama. Alguns grãos de desejos. Um oásis de esperança. Um deserto de desespero.

terça-feira, 24 de março de 2009

Apenas Para Lembrar


Preparei o café para afastar o sono
Opção que você me obrigou a recorrer
Ventilador virado para a janela
A cidade tão apagada
Era noite, quente, solitária
E fico reparando a vida pela brecha de minha porta
O pobre cachorro que segue mancando
A menstruação que chega antes do tempo
Pessoas que se despendem para nunca mais
Trabalho cansativo
de um corrupto sem abrigo
alojado na casa de Barrabás

Fico parado, congelado, estático
As formigas trabalham,
varam as madrugadas
E eu escrevo poesia apenas para me ocupar
De um tempo que não tenho,
que invisto em tormentos
que eu insisto em lembrar

Vou sair esta noite
Vagar para esquecer
Já que um velho mendigo
Sábio, vivido
Um dia me alertou:
esquecer de lembrar é o primeiro passo a se dar
Como um bom discípulo
Fiel e acolhedor
Não sai naquela noite
Ocupei-me em organizar
Todas as nossas fotos
Apenas...
...apenas para lembrar...

4 comentários:

Carlos L. R. disse...

muito bom, muito bom.
muito.
o/

Pedro Nazzu disse...

O texto tá massa! Me levou a lugares, situações e a pessoas que eu há muito havia esquecido.
Tô curtindo muito teu blogue.
Gratuliere!

Montarroyos disse...

Muitíssimo agradecido!

Nilson Vellazquez disse...

esquecer de lembrar é o primeiro passo a se dar... é verdade!