Um poço de lama. Alguns grãos de desejos. Um oásis de esperança. Um deserto de desespero.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Mural


A poeira acumulada sobre lençóis amassados
de uma cama burguesa com aspirações de desejos
O ventilador corroído pela maresia
Os livros amarelados, nunca lidos
apenas guardados, esquecidos
As cartas nunca findas
Os pensamentos inacabados, errados, indecorosos
O incenso aceso para afastar o olhado
Uma “Espada de São Jorge” na porta de entrada
A mesa suja de refeições anteriores
contrastando com os pratos depositados na cozinha
por onde baratas e insetos povoam a escatológica ausência de vida
Os sapatos distribuídos pelos diversos cômodos
As roupas mais arrochadas, panos de chão
A TV ligada sem conexão, sem antena, sem fiação
A torneira aberta, desperdício
Lâmpadas quebradas,
sentimento magoado
Violão sem cordas
Não há música, alegria ou diversão
Ali jaz mais uma vítima
da melancolia incontrolável
Fardo das mega-populações não povoadas
Dos distritos sombrios do coração
De uma pessoa que morre em vão
Sozinha, sem atenção

4 comentários:

Lella disse...

hmmmm

Aline Araújo disse...

Quanta coisa cabe num mural de idéias. Quanta coisa!

Laís Eva disse...

texto foda!

(pra variar)

=)

Lorena disse...

Consegui visualisar toda a cena, cada objeto. Fodástico, cada vírgula escrita.