Um poço de lama. Alguns grãos de desejos. Um oásis de esperança. Um deserto de desespero.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Um Dia de Trabalho


Envolto de luzes padronizadas
Com o radiador vibrante
Todos olham para o relógio
Clamando para que o ponteiro ande
Sento-me numa máquina
Diferente pelas mesmas diferenças das demais
Sozinho, dentro de uma sala
Com a chuva que passa lá fora
Deixo o mais bonito se perder
Pela obrigação que há de se cumprir

Não existe nenhuma diferença
Todos lá têm um mesmo uniforme
Tudo se inicia em determinado momento
A regra é clara, só há tormento

Pego meu jornal e embarco num caminho sombrio
Sem caminho de volta
Retorno aos tempos da escravatura
Mas minha linda manhã está acabando
Perco a vida que caminha lá fora

O som ininterrupto do laboratório ecoa na minha cabeça
Tudo parece morto
Sem sentimento que os remexa
As cadeiras desocupadas
Aquelas lâmpadas queimadas
Não há coisa pior que a solidão
Quero sair desse inferno, são

4 comentários:

Anônimo disse...

Quantos Dias De Trabalho, e eu no fim deles o que mais anseio e te ver à noite, queria entender o que sentias verdadeiramente quando escreveste "Reflexo", te acompanho desde sempre, "TE ADMIRO" te contemplo há muito, sou um anônimo, mas não um anônimo qualquer, sou um anônimo novo, que cansado de escrever sobre MONTARROYOS três anos de sua vida num agenda de capa preta, decidiu tentar entender a Genealogia da Existência desse alguèm que tanto me faz penar, quantas poesia a ti, quantas tentativas frustradas, quantas noites de espera nos corredores, preciso de um sinal, preciso do teu Reflexo para sair das sombras e viver, Tentei uma única vez te falar sobre meus sentimentos, mas entorpecido me disseste não ter cabeça, assim vivo de fingir e anseiar o teu olhar e sonhar com teu toque, preciso te entender, só assim serei capaz de me entender.
JnDtSn

JnDtSn disse...

DIAS de TRABALHO, DIAS DE ESPERA, DIAS DE ANGÚSTIA, ENFIM ESPERO QUE HOJE NÃO SEJA MAIS UM DIA!?

Laís Eva disse...

"E ninguém é eu, e ninguém é você. Esta é a solidão."
(Clarice Lispector)

Nilson Vellazquez disse...

são dias sem poesia...