Um poço de lama. Alguns grãos de desejos. Um oásis de esperança. Um deserto de desespero.

quarta-feira, 26 de março de 2008

O Contraditório de um Coletivista



Meu compromisso é com a escrita
Não é com os miseráveis
Não é com os rebeldes
Não é com as injustiças
Poupe-me de seus comentários injuriosos
Eu quero a alegria de viver para mim
Com meus problemas
Com minhas necessidades
Com minhas luxurias
Quero esquecer as diferenças sociais
Atirem-me na perdição
Não quero saber quem são vocês
Quero escutar meu próprio coração
Lutar por minhas causas
Não me engajarei numa guerra que não seja minha
Quantos governantes mandam seus filhos a ela?
Quantos passam um dia sem comer pelos soldados do front?
Vou resistir a esses infortúnios
E se eu quiser apenas existir?
O que os padres irão fazer ?
Quantos sabem de mim?
E a Bíblia, e a Suna, e o Corão
irão me redimir?
Chega de baboseiras
Vamos à verdade escondida
Todos nós queremos o melhor para nós mesmos
Cansei de ser coletivista
Saturei dos jornais
Acostumei-me com a violência
Será que agora eu sou uma pessoa melhor?
Estou decidido,
vou apenas continuar
Com essa vida de merda que só nos faz afundar
Meu espírito morre a gotas
De pingo-em-pingo vai me consumindo
Irei decretar feriado
Chega de trabalho
Basta de gasto
Quero meu salário!

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